O que stablecoin tenta resolver

Bitcoin sobe e desce 5% num dia tranquilo. Para usar como dinheiro, você precisa de algo estável. Stablecoin é uma cripto desenhada para manter paridade com uma moeda fiat — quase sempre o dólar. Existem desde 2014 e hoje movimentam mais volume diário que todas as outras criptos somadas.

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Por que dominam o P2P brasileiro

87% das operações P2P no Brasil em 2025 foram em stablecoin (principalmente USDT e USDC). Razão: o brasileiro quer comprar dólar barato, e stablecoin é o dólar — só que digital, transferível em segundos, e sem precisar de conta no exterior.

Os 4 modelos de stablecoin

1. Lastreada em fiat (centralizada)

Empresa emissora guarda US$ 1 em conta bancária para cada token emitido. É o modelo mais simples e dominante. Exemplos: USDT (Tether), USDC (Circle), FDUSD (First Digital).

Risco: você confia na empresa. Se ela mentir sobre o lastro, ou for invadida judicialmente, o token despregga.

2. Lastreada em cripto (descentralizada)

Smart contract bloqueia ETH ou outra cripto como garantia, e emite stablecoin como dívida. Exemplo: DAI (MakerDAO), agora rebatizado USDS.

Risco: volatilidade da cripto colateral. Se ETH cai 50%, o sistema liquida posições e o stablecoin pode tremer.

3. Algorítmica (sem lastro real)

Mantém preço por algoritmo de oferta e demanda. Exemplo histórico: UST (Terra/Luna). Spoiler: morreu em 2022, levando US$ 60 bi com ela.

Risco: letal. Não use stablecoin algorítmica.

4. Híbrida

Mistura dos modelos acima. Exemplo: FRAX (parte fiat-lastreada, parte algorítmica). Modelos sofisticados, mas menos populares.

As principais — comparativo

USDT (Tether)

USDC (USD Coin)

FDUSD (First Digital USD)

DAI / USDS (MakerDAO / Sky)

Riscos que o P2P brasileiro não fala

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1. Risco de bloqueio

USDT e USDC podem CONGELAR endereços por ordem judicial. Tether congelou ~US$ 1 bi em endereços ligados a sanções e crime. Se sua carteira receber USDT de origem suspeita, pode ser congelado também. Use sempre fontes legítimas.

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2. Risco de despeg

Stablecoin garante R$ 1 = R$ 1 só enquanto o mercado acreditar. Em pânico, pode cair pra R$ 0.85, R$ 0.50, ou zero. UST foi a 0 em 3 dias. Diversificar entre USDT + USDC reduz risco.

3. Risco regulatório

Brasil ainda não regulamentou stablecoin. Em 2026, BCB tem consulta pública aberta. Se vier regulação restritiva, pode haver impacto em conversão BRL ↔ stablecoin via P2P. Acompanhar.

Stablecoin em redes — qual escolher

USDT existe em várias redes (TRC-20, ERC-20, BEP-20, Solana, Polygon). A mesma USDT, mas em "vias" diferentes:

⚠️ Cuidado: ao mandar USDT, escolha a mesma rede da carteira destino. Mandar TRC-20 pra endereço ERC-20 perde os fundos.

Resumo: o que escolher pro brasileiro comum

Stablecoin é a infraestrutura silenciosa do mercado cripto brasileiro. Entender o modelo de lastro e os riscos te coloca na frente de 95% dos usuários — que tratam tudo como "dólar digital" sem questionar.

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